PARTE 2: MANUAL ORIENTATIVO COM SUGESTÕES DE COMO EFETUAR REPAROS EM PISOS DE CONCRETO QUE POSSUEM FISSURAS POR EMPENAMENTO (efeito curling).

29 de julho de 2020

Atualmente os pisos de concretos apoiados são executados em grandes faixas entre formas e juntas são executadas para controlar as retrações. As juntas são cortadas perpendicularmente para induzir as fissurações, evitando fissurações não retilíneas.

DATA: 29/07/2020_Rev00.

 Conteúdo:

  1. Introdução técnica.
  2. Como investigar os problemas e encontrar as causas.
  3. O que será necessário fazer para seu reparo ter êxito.

 

  1. INTRODUÇÃO TÉCNICA.

Os concretos para pisos apoiados sobre o solo requerem filmes plásticos entre o substrato e o concreto propriamente dito para deslizarem ao retrair evitando fissuras por travamento direto ao substrato.

Atualmente os pisos de concretos apoiados são executados em grandes faixas entre formas e juntas são executadas para controlar as retrações. As juntas são cortadas perpendicularmente para induzir as fissurações, evitando fissurações não retilíneas.

Desta maneira placas retangulares ou de formato quadrado são formadas após a natural fissuração e com este efeito da retração as placas tendem a empenar nas bordas, ou seja, levantarem as bordas e estas regiões próximas das juntas ao se levantarem perdem o apoio ao substrato, podendo ocorrer o também denominado em Inglês efeito “Curling”.

Com o uso das áreas e os esforços das cargas móveis, tais como empilhadeiras ou veículos, as placas empenadas acabam fissurando nas bordas por não estarem apoiadas e sim em balanço.

As presenças de barras de transferência entre placas evitam o empenamento, ou seja, não permitem que o concreto durante o seu processo de retração natural fique com as bordas em balanço (empenadas).

Desta maneira com os carregamentos os problemas devido ao empenamento das placas geram fissuras em vértices das placas ou adjacente ao alinhamento das juntas.

Vide abaixo imagens típicas deste problema de fissuras por empenamento.

 

FOTO 1: Desnível entre placas

FOTO 2: Fissuração dos vértices após carregamento.

FOTO 3: Fissuras ao longo das juntas.

  1. COMO INVESTIGAR OS PROBLEMAS E ENCONTRAR AS CAUSAS.

As fissuras apresentadas acima, normalmente induzem as pessoas pensarem que o solo recalcou, ou seja, afundou.

As fissuras por recalque do solo normalmente possuem formatações bem diferentes, formatando grandes gomos nas placas de concreto dos pisos. Este tipo de fissura será tratado no próximo capítulo.

Para estudarmos se as fissuras existentes são do tipo fissuras por empenamento de retração precisamos investigar e questionar como foram concebidas as placas do piso.

Se são bem antigas, anteriores aos anos 90 provavelmente tenham sido executadas em quadros isolados por formas (concretagem tipo xadrez), concretadas uma a uma entre formas e sem barras de transferência ou ligação entre elas. Estas antigas placas de piso normalmente se movimentam por variações térmicas não somente horizontalmente como também verticalmente expondo as bordas. As placas desta antiga técnica normalmente eram executadas em quadros formando dimensões de aproximadamente 2 a 4 m X 2 a 4 metros (aproximadamente).

Os pisos executados antigamente:

  • Não possuem as barras de transferência e fissuram os vértices ou ao longo das juntas em posicionamento adjacente;
  • Juntas largas, com aberturas de até 2 cm ou nas juntas existem placas de madeira usada como forma, ou ainda asfalto preenchendo-as.

FOTO 4: Juntas largas

Nos concretos mais modernos as distâncias entre as juntas normalmente são maiores, por exemplo a cada 5 a 15 metros e provavelmente foram executadas por concretagens em faixas e as juntas de controle de retração tenham sido serradas para induzir as fissurações. Os pisos mais modernos normalmente possuem barras de transferência de cargas posicionadas ao longo das juntas e minimizam os problemas gerados por empenamento de retração.

FOTO 5: Execução de concretagem em faixas

O estudo das causas por engenheiros patologistas é fundamental para a caracterização das reais causas das fissuras, estudo do projeto existente ou a ser reconstituído em caso de não existir para que possa ser adequadamente gerado o projeto dos reparos e reforços da estrutura.

Os profissionais patologistas e por sondagens destrutivas ou não destrutivas, conseguem se certificar o posicionamento e diâmetros das armaduras da estrutura, conhecer as espessuras e tipo do concreto se necessário e assim definir causas e gerar o adequado projeto para a abordagem nas soluções.

Quando os reparos são executados sem o devido projeto podem não serem duradouros e as despesas com os mesmos terem sido empregadas sem o êxito pretendido.

Vide abaixo um caso típico de reparo onde sequer as juntas foram obedecidas, ou seja mantidas para a movimentação térmica do concreto e o reparo fissurou em seu perímetro pois transferiu as movimentações térmicas para as interligações entre o concreto existente e o material de reparo (área reparada).

FOTO 6: Reparo fissurado

  1. O QUE FAZER PARA SEU REPARO NO PISO DE CONCRETO TER ÊXITO.

Em face ao projeto de reparos podemos estabelecer algumas etapas de recuperação do piso, lembrando que estas medidas somente devem ser seguidas conforme o projeto e que na ausência do mesmo os procedimentos abaixo podem não apresentar o êxito esperado.

– Remoção do concreto na região a ser recuperada até se atingir o solo ou camada de britas da drenagem.

– Isolar o solo com filme plástico evitando a aderência do material de reparo.

Caso exista outro concreto sob o piso a ser recuperado e este esteja íntegro o mesmo deverá ser:

– apicoado

– uso de adesivo epóxi tipo ELTECH ADESIVO EP MF utilizado como agente de ligação entre o existente e o novo concreto ou argamassa de reparo da ELTECH a base de cimento (a escolher conforme capítulo 1 – COMO EFETUAR REPAROS EM PISOS DE CONCRETO).

– Efetuar perfurações nas faces laterais do concreto existente para ancorar barras de ligação. Tais barras poderão ajudar a argamassa de reparo a aderir no concreto existente e assim evitar fissuras no perímetro entre concreto e argamassa do reparo.

– Estas barras devem ser aderidas nas perfurações com ELTECH ADESIVO EP TIX (tixotrópico).

– Antes de aplicar a argamassa de reparo todas as faces laterais entre concreto existente e a argamassa de reparo deverão receber adesivo epóxi ELTECH ADESIVO EP MF e enquanto este ainda pegajoso ser lançada a argamassa de reparo a base de cimento da linha ELTECH CIMCRETO.

Lembro que a maioria das argamassas a base de cimentos, quando as espessuras a serem preenchidas forem superiores a 5 cm deverão adição de britas para minimizar os efeitos do calor de hidratação do cimento gerados em grandes volumes.

– Iniciar os procedimentos de cura tão logo seja possível com ELTECH CURA.

Nos casos onde existirem reparos adjacentes as juntas das placas de concreto dos pisos, lembramos que barras de transferências entre as placas deverão ser inseridas, sendo que estas estarão aderidas a argamassa de reparo e isoladas com graxa no lado do concreto existente do outro lado da junta. (Este procedimento é adotado para permitir as movimentações térmicas da estrutura horizontalmente).

As regiões dos reparos por empenamento devem ser removidas onde estiverem em balanço para que os níveis entre as placas sejam novamente estabelecidos.

As áreas de concreto que estiverem em balanço devem ser reconstituídas nos níveis adequados e as barras de transferências posicionadas e fixadas pois caso contrário o agente causador das fissuras por empenamento continuarão e poderão continuar a romper as placas quando estas carregadas.

Imagens abaixo definem um tipo de obra nos Estados Unidos onde devido à ausência das barras de transferência optou-se por além se inserir as barras de transferência de cargas preencher a base inferior com graute tipo ELTECH CIMGRAUTE N40. O graute foi injetado sob as placas eliminando os vazios e as barras de transferências fixadas com graute epoxi tipo ELTECH EPOXIGRAUTE R80.

Figura 1: Empenamento em placas sem apoio no solo

Figura 2: Plano de injeções

FOTO 7: Injeção do graute

FOTO 8: Preenchimento sob a placa

FOTO 9: Posicionamento das novas barras de transferência.

FOTO 10: Fixação com graute epóxi.

 

ELABORADO POR: Ricardo Novelli Salomão

Editado e corrigido por: Fabiana Silva

Imagens utilizadas apenas para uso didático.

 

Eltech está à disposição para auxiliar na solução de seus problemas em pisos e estruturas de concreto nos telefones 011 2378-2405, no formulário de contato em nosso site, ou através de nossos representantes, distribuidores e parceiros.

Eltech, a química certa para construção.

 

Ricardo Novelli Salomão – tel.: 11 9 8316 0212

E-mail: vendas10@eltechquimica.com.br

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